Recuperação de aeronaves

Histórico

O restauro do segundo protótipo do Bandeirante, primeira aeronave produzida pela Embraer, integrou as comemorações do quadragésimo aniversário de seu primeiro voo, em 22 de outubro de 1968, antes mesmo da criação da Embraer. Para recuperá-lo, foi fundamental a dedicação de empregados e ex-empregados que trabalharam na antiga linha de montagem.

O Bandeirante começou a ser desenvolvido em 1965 no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD) do CTA, sendo identificado pela sigla IPD-6504. O sucesso do primeiro protótipo levou à viabilização de sua produção em série o que, no limite, resultou na criação da Embraer. Entre as primeiras encomendas recebidas pela Empresa, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou a compra de 80 aeronaves Bandeirante, fabricadas em uma nova versão que incorporava muitas modificações necessárias à produção seriada. Esse modelo foi chamado de EMB 110. Em versão configurada para a operação comercial, o Bandeirante inaugurou o conceito da aviação regional.

O exemplar recuperado pertence ao acervo da Fundação Santos Dumont e foi cedido à Embraer em comodato, pelo prazo inicial de cinco anos. A aeronave estava na sede da Fundação, em Cotia (SP), e teve de ser quase inteiramente desmontada antes do transporte até São José dos Campos. As asas, a fuselagem e o conjunto de hélices foram trasladados em duas carretas especiais. Partes menores, como motor, cauda e estabilizadores, viajaram em caminhões. Atualmente, este protótipo recuperado encontra-se integrado ao acervo do Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB).

Uma vez nos hangares da Embraer, a aeronave foi cuidadosamente remontada, recebeu nova pintura com as cores da Força Aérea Brasileira, novo sistema elétrico e acabamento. O interior foi refeito em detalhes, com itens, texturas e tonalidades mais fiéis possíveis aos do modelo original. Foi, por exemplo, providenciado o mesmo carpete verde e cortinas bege com detalhes em verde-musgo aplicados em silk screen formando a imagem estilizada de uma asa. As cortinas foram confeccionadas artesanalmente, como era na época.

Para os profissionais que participaram da recuperação do Bandeirante, foi uma experiência gratificante, a qual representou a oportunidade de promover a valorização do legado de um avião emblemático para a Embraer e para todo o país. ​